Divertida, eu?

-Ih Luísa, nem começa! – deu uma bronca sua amiga-irmã Anita, como sempre costumava fazer.

-Mas você sabe que é verdade, eu não ia mentir sobre uma coisa dessas! – exasperou-se Luísa, arregalando os olhos numa tentativa inútil e frustrada de tentar ser mais dramática.

Anita girou os olhos para o teto, o irritante hábito que tinha desde seus 6 anos. Irritante mesmo.

-Escuta aqui Luísa! Não venha me dizer que você não é divertida, porque você é, o pessoal fica rindo uns 5 minutos depois que você fala alguma coisa, caramba!

-Eu seeeei, o problema é que o pessoal, sei lá, o pessoal não me leva a sério – choramingou Luísa – Sou só a menina engraçada, uma distração momentânea.

-Ô Marcela, dá pra você me ajudar aqui? – reclamou Anita, mãos na cintura, olhando para a única menina que não tinha falado nada, a que estava coberta parcialmente por um elefante de pelúcia.

-Hmmm, o que você quer que eu diga? – perguntou timidamente Marcela, enrolando os cabelos cacheados nos dedos, coisa que sempre fazia quando tinha receio de dizer alguma coisa.

-Diz pra essa maluca que ela está sofrendo aquela crise crônica de insegurança de novo – falou Anita, bem alto.

-Mas eu não tenho nenhuma crise crônica de insegurança, não mesmo – defendeu-se Luísa, um olhar hostil pintando em seu rosto.

-Ah claro, e eu vou virar chefe de limpeza das jaulas dos hipopótamos no zoológico de Nova York – comentou Anita, que na verdade queria ser astronauta.

-Eu só acho… – começou Marcela, os cachos ainda nos dedos – que a Luísa devia parar com essas leseiras e continuar do jeito que ela é – concluiu a menina, que queria ser cartomante.

-Vai chover granizo hoje, a Marcela concordou comigo – ironizou Anita, o seu sorriso enviesado característico dando o ar da graça.

-Ah gente, pode parar! Todo o mundo sabe que eu não sou divertida coisíssima nenhuma – falou Luísa, que queria ser jornalista, presidente de um pequeno país europeu, atriz e gari.

-Não, beleza, vou te ignorar tá? O balde de pipoca, que por acaso está mais pro seu lado do que pro meu, está me chamando, passa ele pra cá – respondeu Anita, os olhos redondos espiando a pipoca Yoki sabor manteiga suave.

Marcela riu.

-Ei ei ei, EU fiz a pipoca, EU que vou comer primeiro – revoltou-se ela, morrendo de rir.

-Eu que abri o pacote pelando de quente, podia ter morrido queimada – exagerou Luísa, rindo da própria, hmm, piada.

-E eu então? Coloquei a maldita pipoca na maldita vasilha, ela podia ter quebrado na minha mão, aí eu ia me cortar, sangrar e eu ia ter que amputar o braço! – exagerou ainda mais Anita, puxando a pipoca para si.

E assim as três amigas passaram a tarde falando bobagens, tarde essa que terminou em uma memorável guerra de pipocas.

nota da autora: eu tenho crises crônicas de insegurança regularmente.

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