Macacões amarelos engordam

Aquela discussão familiar não estava indo a lugar nenhum.

– Não insiste Giovana! – falou a maior autoridade feminina do lar, também conhecida como mãe – Já conversamos sobre isso, não acredito que estou tendo essa conversa de novo – concluiu ela, com um suspiro.

– Mas mãe, eu já falei que eu passo mal quando eu como mamão antes de ir pra academia! – respondeu Giovana, com um leve quê de irritação na voz – Não sou igual a você, que come toda a produção brasileira para exportação de mamão antes de malhar esse teu corpinho, que diga-se de passagem, não ficou muito bem nesse macacão amarelo, não mesmo – acrescentou, maliciosamente.

– Mas como assim?! – exclamou a mulher, olhando para o próprio corpo envolto em muito, mas muito tecido amarelo, o choque estampado no rosto que, graças aos céus, não estava coberto por nenhum tecido amarelo – Eu amo amarelo!

– Acho que o amarelo não ama você, mãe – comentou Giovana, deliciada com o fato de ter desviado a atenção da mãe dos mamões.

– Mas olha só, e você hein Giovana? – resmungou a mãe – Acho que esse conjunto azul meia-noite não vai com a sua cara também, minha filha – disse ela, jogando comentário ruim atrás de comentário ruim, sua especialidade.

– Ih mãe, pode parar! A nossa conversa é sobre os mamões e…

– É mesmo, tinha me esquecido dos mamões – interrompeu a mãe, o olhar brilhando devido ao fato de terem finalmente voltado ao assunto inicial.

– Nãããão, não foi isso que eu quis dizer – desesperou-se Giovana, visivelmente irritada de falar sobre os benditos mamões –  Eu na verdade quis dizer que você, hmmm, você, sabe como é… você… já sei! – ela pigarreou – Eu na realidade quis dizer que você está parecendo um mamão com esse macacão amarelo –  concluiu ela, um triunfante sorriso colgate no rosto.

– Mamões são laranja, queridinha – respondeu astutamente a mãe, um sorriso zombeteiro brincando em seus lábios.

– Ah, desculpe, eu quis dizer que você parece um mamão MADURO nesse macacão amarelo – interpelou a menina, que era tão boa em dar cortes que até assustava.

Uma buzina é acionada lá fora.

– Jesus, Maria e José, o Arquibaldo chegou pra levar a gente na academia e você não comeu seus mamões! – gritou a mãe, correndo para a porta.

– Ah mãe, eu como quando eu voltar – disse Giovana, calçando os tênis preguiçosamente, devagar quase parando.

– Tá, tá, tanto faz! Te calça e vamos embora, olha o Arquibaldo buzinando de novo aí, Giovanaaa.

E lá foram elas, mãe e filha, para a academia, juntas. Testemunhas oculares afirmaram ter visto uma mulher ralhando com a filha, na lanchonete da academia, para que esta última cedesse ao apelo materno e tomasse duas vitaminas de mamão antes do alongamento.

nota da autora: eu só como mamões se eles estiverem com muito açúcar.

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